OpenStreetMap

E lá se vão 1000 edições

Posted by santamariense on 2 August 2015 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil)

Na noite do dia 26 de janeiro de 2013 conheci o OpenStreetMap. No perfil do meu usuário consta 27 de janeiro, mas creio que o horário deve ser o de Londres, portanto aqui ainda era 26. No dia 27 de janeiro ocorreu o sinistro mais marcante da Cidade Coração do Rio Grande, o Incêndio da Boate Kiss e, por isso sempre me lembro do dia que conheci o mais promissor mapa que o mundo já conheceu.

Esta edição de #1000 ocorreu por acaso, devido a ter que salvar os dados no JOSM e reiniciar, porque as vezes ele dá bug e nem baixa, nem envia dados. Ao colocar para enviar os dados, esqueci de configurar para um changeset existente. E isso não ocorre somente com o JOSM, as vezes utilizo o Potlatch 2 no modo avançado (quando o JOSM não está ao alcance) e acostumado com o JOSM dou Ctrl+C querendo copiar algo e acabo por fechar o changeset.

Como disse o usuário naoliv, o número de edições não diz muita coisa. Em uma edição você pode apenas mudar um ponto de lugar, ou desenhar todas as ruas de uma cidade, então isso não importa muito, e sim o quanto a gente contribui para o OSM. Quando estava lá pelas edições de 900 e algo conheci o “How did you contribute to OpenStreetMap ?” e para a minha surpresa estava entre os 1400 mapeadores mais assíduos do OpenStreetMap. E olha que somos mais de 2 milhões!!! Então por meta pessoal decidi acelarar as colaborações para chegar as 1000 edições entre os 1000 mapeadores que mais contribuem segundo o HDYC, e acabei por estar entre os 800 que mais mapeiam hoje (#795 N, #747 W, #433 R).

O HDYC leva em consideração apenas as variáveis número de nós, linhas e relações. Não conta o tempo dedicado às idas a campo coletar dados, o tempo divulgando o OSM para quem tem potencial em usar ou contribuir ao projeto, entre outras variáveis. E o que vale mais: A criação de 2000 nós para limitar uma área de mato ou a adição de 1 nó para indicar um hospital? Chega-se então à conclusão que todas as contribuições de boa fé são boas e bem vindas e, o que vale sim é contribuir seja um pouco ou seja bastante.

Durante estas 1000 edições concentrei esforços para detalhar o município que moro (Santa Maria, RS) e onde fiz a maioria das minhas edições. Tenho mapeado o município de forma a abordar todos os cantos, quer zonas rurais ou urbanas. Alguns usuário se concentram em mapear estradas, outros matos, outros… Eu me concentro em mapear um local e tudo que se pode nele mapear. Minhas idas ao wiki do OSM é frequente em busca de tags, porque seguidamente me deparo com coisas a adicionar ao mapa que não havia adicionado ainda.

Quanto aos editores usados, comecei com o padrão da época do início de 2013, o Potlatch 2, com o qual fiz mais da metade das minhas edições. Das minhas edições. Mas não certamente com o qual adicionei mais dados ao OSM. Após muita relutância em desapegar do Potlatch 2, por sugestão de outro grande colaborador da cidade, o usuário portal aventura, comecei a usar o JOSM e passei a descobrir as poções mágicas (plugins) que facilitam as edições no mapa.

Não. O JOSM não é na minha opinião o melhor pra tudo. Também já editei com o ID, mas entre os editores online ainda prefiro o Potlatch 2 no modo avançado porque geralmente quando edito é para contribuir com dados em massa. O Vespucci é excelente editor para android que já usei. A gente sai com o celular por aí e edita o mapa na rua sem precisar levar anotações para casa, mas como já disse ainda há muitas informações em massa quando vou a campo e por isso não é muito útil para o momento. Quem sabe quando o mapa de Santa Maria estiver “completo” eu passe a usar mais o ID e o Vespucci para fazer uma ou outra pequena edição. E para encontrar dados ainda não mapeados no OSM dentro de um local aparentemente completo, os editores online são os mais indicados. Também tive duas edições com o OSMAnd, não me perguntem o que, espero não ter estragado o mapa. Adoro o OSMAnd (meu navegador de bolso), mas o que eu gosto mesmo é de editar os dados na camada “código-fonte” e não em editores que colocam uma camada amigável entre você e o mapa. Por isso, também vi potencial no Level0 onde por ele terminei de colocar as tags população, IBGE:GEOCODIGO, wikipédia e wikidata aos bairros da cidade que ainda não as tinha.

Vamos então a cidade a qual tenho colaborado (junto com outros usuários obviamente). Santa Maria tem entre alguns objetos (quase que) inéditos em relação ao total do Brasil já mapeados:

  • 10% das árvores (natural=tree)
  • 84% das cor de telhas em contruções (roof:colour)
  • 10% dos do número de andares em construções (buildng:levels)
  • 82% das cores de contruções (buildng:colour)
  • 83% do material das contruções (building:material)
  • 89% do material da cobertura de contruções (roof:material)
  • 39% do telefones públicos com número (amenity=telephone) + (phone) ou (contact:phone)
  • 13% do formato da cobertura de contruções (roof:shape)
  • O único a ter da numeração de apartamentos. Há outro em Lajeado, no mesmo estado, mas creio que que foi mal tagueada, o certo seria addr:door.
  • Junto com Presidente Venceslau, os únicos municípios a terem o mapeamento de setores censitários. Aqui em Santa Maria está a meio caminho andado.

E olha que a população de Santa Maria não chega a 0,15% da população do Brasil e nem a 0,021% do seu território.

Decidi mapear essas peculiaridades porque percebi que administrava mal o tempo a campo quando saia para coletar numeração de casas. Então para aproveitar melhor a oportunidade anoto a numeração de casas no OSMPad, ou em mapa impresso, e levo sempre um gravador de voz onde descrevo as construções com o numero da casa, cor, andares, material das paredes e material da cobertura e se tem algum escritório ou comércio, anoto o nome, contatos, horários de funcionamento e muito mais. Isso sem gastar mais tempo pois anotar algo em áudio é rapidíssimo. Aproveito a ocasião para descrever paradas, de ônibus, restrições de conversão, quebra-molas, faixa de pedestres e muito mais.

E sobre os setores censitários, olha só que interessante: Não tá nada difícil fazer isso pois a maioria de suas delimitações (ruas, sangas, cercas, alinhamentos) já estão no mapa. Uma informação já existente no mapa facilita a vinda de novas.

Mapear no OpenStreetMap é um bom passatempo. Ver um local se colorindo e dados constarem no mapa edição após edição é muito divertido e gratificante.

Então… Que venham as próximas 1000 edições.

Location: Rincão do Fundo, São Valentim, Santa Maria, Microrregião de Santa Maria, Mesorregião Centro-Ocidental Rio-Grandense, Rio Grande do Sul, Região Sul, 97070-090, Brasil

Comment from Marcos Medeiros on 3 August 2015 at 17:45

Fiquei muito interessado em aprender a usar o Vespucci e a mapear os setores censitários (adivinha onde trabalho…).

Comment from naoliv on 4 August 2015 at 12:10

Parabéns! E quando chegar em 500 precisa fazer churrasco pra todo mundo! :-)

Comment from santamariense on 5 August 2015 at 01:41

@naoliv, não sei se chego lá. O HDYC acho que não leva em consideração apenas as adições de tags. E eh isso que passarei a fazer com mais intensidade dando os detalhes e numerações de casas. O churrasco tá de pé. É uma pena que a gente não mora por perto para fazer um festival de mapeamento.

Comment from Tomio on 22 August 2015 at 19:29

Santamariense, espetacular o trabalho que vc está desenvolvendo na sua cidade. Parabéns!

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