OpenStreetMap

antoniolaranjeira's Diary

Recent diary entries

A “ilha dos Odebrecht” que o Google Maps esconde

Posted by antoniolaranjeira on 25 July 2021 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

No litoral da BA, Quiepe parece escondida a sete chaves. Mesmo em local estratégico, está fora das rotas de navegação. Busca no Google dá em vazio no mar, em local errado. Mas, com ferramentas livres, paraíso privado foi, enfim, mapeado… https://outraspalavras.net/direitosouprivilegios/a-ilha-dos-odebrecht-que-o-google-maps-esconde/

Location: Igrapiúna, Região Geográfica Imediata de Valença, Região Geográfica Intermediária de Santo Antônio de Jesus, Bahia, Região Nordeste, Brasil

Por que devemos falar sobre "mapas para todos"?

Posted by antoniolaranjeira on 17 July 2020 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

Quem faz o mapa e quem usa o mapa? Esta distinção deve ser o “ponto de partida” de uma “rota” em busca do “mapa ideal”.

Afinal, é possível produzir mapas que representem todos os lugares com equidade? Para responder essa questão contemporânea, Boaventura de Souza Santos, em seu artigo Uma cartografia simbólica das representações sociais: prolegômenos a uma concepção pós-moderna do direito, já sinalizava, em 1988, sobre a relevância da espacialidade na interpretação temporal e o papel dos mapas para o direito histórico aos territórios, e aponta, em síntese, três aspectos para investigação crítica a partir de uma cartografia: 1) a escala, 2) a planificação e 3) a simbolização.

A escala, a planificação e a simbolização são recursos-chave para o funcionamento dos mapas que utilizamos via Internet, e que, por vezes, levam o usuário do mapa à refletir sobre os critérios de relevância e as regulações que garantem a organização das informações que ele acessa sem reconhecer quem produz os mapas utilizados. Afinal, quando falamos em mapas para todos precisamos também perguntar: Quem são “todos”? Usuários ou produtores de mapas? Quais são os mapas que representam “todos” por “todos”? Google Maps ou OpenStreetMap?

O Google Maps é uma plataforma — um site que reúne dados e permite operações online — de uma empresa hegemônica (holding) nas práticas de geocomunicação, formada por uma complexa trama de incorporações de empresas (subsidiárias), um dos produtos mais evoluídos da Indústria das Mídias, lançado em 2005.

Isso porque, diferentes inovações, no âmbito das operações de produção e circulação — como o Local Guides e o StreetView — tem sido marcada pelas apropriações sociotécnicas de geotecnologias a partir da “geospacial web” (ou geoweb), ambiente digital decorrente da convergência da interatividade da web 2.0 com as frequências de GPS (Geographic Positioning System) e a base de dados de GIS (Geographic Information System).

O OpenStreetMap também é uma plataforma, criada para servir às práticas alternativas de geocomunicação. A distinção elementar do OpenStreetMap, lançado em 2004, é que este não tem fins lucrativos, é um projeto colaborativo mantido por doações e realizado por voluntários. Neste modelo de negócio, novas modalidades de economia das redes digitais entram em cena, em conflito com o monopólio das organizações com fins lucrativos, como a Google Inc. Considera-se que os mapas online são ultracolaborativos (pois permitem colaborações em massa e/ou em rede), hipervisuais (pois permitem visualizações por escalas gráficas diversas, do zoom micro ao zoom macro) e multiterritoriais (por permitirem territorializações pelo conhecimento e pelo reconhecimento, do senso de “estar na cidade” e “ser da cidade”). Estas “dicotomias tricotomizadas” (nos termos de Henri Lefebvre) conduzem ao “paradigma das geocomunicações”.

Esse paradigma fundamenta-se no pressuposto de “quem necessita do mapa” Apesar da globalização dos mapas com a Internet, são os sujeitos habitantes que, por sua vivência e percepções, possuem maiores e melhores condições de comunicabilidade de localizações e trajetos na representação cartográfica de um território. Isto é, de fornecer informações espaciais a um sistema de geocomunicação (uma das plataformas de mapas online), de modo a suprir a demanda de sujeitos estrangeiros, que não partilham com os habitantes os referenciais de pertencimento à paisagem visual e/ou sonora deste território.

O ato de “empoderar” habitantes no processo de colaboração, na produção de mapas de um território, concebe outras representações para além das colaborações de visitantes, conforme o “paradigma das geocomunicações”, para o qual as três dimensões do espaço (vivido, percebido e concebido) “constituem uma unidade dialética contraditória”. É o sujeito habitante, dotado da liberdade de comunicação virtual que deve consentir, entre usar e aprimorar mapas sob a licença do OpenStreetMap ou do Google Maps, ou seja, consentir sobre qual mapeamento melhor representa a realidade do seu espaço vivido: com base na ação cartográfica ou na atividade cartográfica.

Em síntese, afirmamos que ocupar o corpo na ação colaborativa de mapeamento representa um gesto político, se reconhecermos que o direito à cidade é o direito ao mapa: como propõe Boaventura de Souza Santos, os mapas são simbolicamente os “prolegômenos do direito”.

Israel e Palestina nos mapas online: o que visualizamos e porque visibilizamos

Posted by antoniolaranjeira on 17 July 2020 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

Desde o advento das plataformas, como Google Maps e OpenStreetMap, pesquisas estimam que consumimos mais mapas em 24 horas que foram consumidos mapas em 2000 anos desde a criação da Cartografia. A constatação da aceleração da produção e do consumo dos mapas esconde questões profundas da atualidade em relação às guerras pelo direito ao território. Conforme tratei anteriormente — em um texto intitulado Por que devemos falar sobre mapas para todos? — a questão sobre quem faz e quem usa o mapa é preliminar para pensarmos na representação mais justa de um território. Incorremos na netnografia no ambiente das plataformas de mapas online (ou “geoweb”, abreviatura do termo técnico “geoespacial web 2.0”) para explicarmos porque o Google Maps não reconhece a Palestina na sua base de dados e porque é plenamente possível visualizar via OpenStreetMap a diferença entre os territórios de Israel e Palestina através de fronteiras (na cor laranja).

Se observarmos o mapa da plataforma livre (figura à esquerda), produzido por voluntários, podemos visualizar as ocupações militares dos territórios do mundo: são zonas em vermelho e tracejado na diagonal dispostas nas fronteiras ao sul de Israel e ao leste da Palestina. A Faixa de Gaza é a maior zona de conflito por que fica desanexada do centro de poder e aproximada de uma zona litorânea com uma zona militar ao sudoeste, na fronteira com o Egito, estado aliado de Israel. Para a plataforma proprietária de mapas (figura à direita), a “Palestina” é uma área delimitada por um tracejado em relação as fronteiras de Israel (com destaque para a Faixa de Gaza descrita como equivalente à Cisjordânia, o que é geopoliticamente incompatível). O “tracejado” é considerado tecnicamente como um recurso gráfico também utilizado em outros casos pelo Google Maps, como os estados de Jamu e Caxemira, ao norte do Nepal, em relação ao território hegemônico do estado da China. Na geopolítica, são essas porosidades do tracejo das fronteiras as “brechas simbólicas” para a forte entrada de tecnologias e de ideologias bélicas neste caso do Oriente Médio. Observar os detalhes dos mapas é necessário para um leitura radicalmente humanitária sobre a verdade e justiça dos discursos que eles circulam mundialmente.

Location: אליעזר, גן השרון, נפת פתח תקווה, Distrito Central, no, Israel

Desafios das Geocomunicações

Posted by antoniolaranjeira on 12 September 2019 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

A produção de cartografias e a análise dos mapas online são portanto dois lados de uma questão contemporânea a ser respondida de modo interdisciplinar e dialógico, ensinando a todos a ler, escrever e interpretar mapas conforme a realidade local, por mediação de uma prática pedagógica crítica, conforme a teoria de Paulo Freire.

Geografia, Computação e Comunicação utilizam das informações geoespaciais (os nossos rastros de GPS e as bases de mapas online) e o tema tem se tornado a fonte para ideias inovadoras na cidade e no campo.

A educação para Geocomunicações tem demandado a profissionalização de analistas e técnicos e para isso o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados fornece um curso online (MOOC) para quem deseja aprender como “dominar o GPS” e fazer os próprios mapas, sejam eles públicos ou privados, para fins pessoais ou coletivos.

Laranjeira, Antônio Heleno Caldas (25 de fevereiro de 2019). «A comunicação dos mapas : estudo comparado das plataformas Google Maps e OpenStreetMap» «Geo-communication and information design - A viewpoint regarding the content architecture of geo-communication, regarding the requirements and potential for reaching agreement on case and location as the basis of decisions based on a phenomenological, communicative, semiotic and rhetorical foundation | Lars Brodersen». ResearchGate (em English). Consultado em 31 de agosto de 2019.

Ver mais em: https://www.ibpad.com.br/produto/producao-de-cartografias-e-analise-de-mapas-online/

Location: Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros, Região Geográfica Imediata de Aracaju, Região Geográfica Intermediária de Aracaju, Sergipe, Região Nordeste, 49140-000, Brasil

Paradigma das Geocomunicações: o poder do habitante

Posted by antoniolaranjeira on 12 September 2019 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

No entanto, somente o habitante, e não o visitante, é quem pode reconhecer o cotidiano de um território, oferecendo informações para um mapa global sobre a qualidade dos seus dados. Nenhum autômato é capaz de conhecer o território usado pelas diversas redes humanas e suas dinâmicas com a natureza.

Estudos com comunidades ribeirinhas, amazônicas e de favelas comprovam que existem distinções entre a informação geográfica produzida por voluntários (VGI) e a informação geográfica proprietária (PGI). Esta distinção crítica tem como ponto de partida o método comparativo.

Dicotomias dos mapas online Por isso mapeamentos horizontalizadores tendem a ter sido processados por metodologias empoderadoras, que dão voz e ouvem os habitantes, porém servem, na maioria das vezes, para estrangeiros, em outras palavras aqueles que desconhecem o território e que são, na maioria dos casos, os que demandam dos mapas no cotidiano para mobilidade.

Por sua vez a verticalização tende a processar metodologias desorganizadoras, que dão prioridade para lugares econômicos e políticos em relação aos lugares culturais e sociais. A exemplo dos becos, vielas, feiras livres, camelôs, trilhas, hidrovias, ocupações, etc.

Causas de contrastes cartográficos

O que Milton Santos conceitualmente denominou como “circuitos inferiores” e “circuitos superiores”, na Geografia Crítica, se reproduziu na análise da comunicabilidade dos mapas online comparados nos territórios de Cachoeira-BA, Xapuri-AC, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro-RJ.

Nestes três casos a representação dos circuitos superiores locais supera as dos inferiores para os mapas do Google Maps e o inverso ocorreu nos mapas do OpenStreetMap. Isso atesta que as VGI são horizontalizadoras porque são processadas por uma ação cartográfica - construída com base no olhar do habitante - e as PGI são aqui atestadamente verticalizadoras, porque são processadas por funcionários em um atividade cartográfica.

Esse debate está aberto às novas metodologias de pesquisas de dados mas sobretudo desafia a sociedade brasileira a pensar de modo autônomo, crítico, organizado e localizado sobre a “corrida infoespacial” que estas plataformas de mapas virtuais vivem e qual delas oferece mais vantagens competitivas para cada território na época que vivemos, a chamada Quarta Revolução Industrial.

Ver mais em: https://pt.everybodywiki.com/Geocomunicações

Location: Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros, Região Geográfica Imediata de Aracaju, Região Geográfica Intermediária de Aracaju, Sergipe, Região Nordeste, 49140-000, Brasil

Métodos na pesquisa em Geocomunicações

Posted by antoniolaranjeira on 12 September 2019 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

A distinção entre as correntes científicas que usam o termo Geocomunicação e o termo Geocomunicações se faz essencialmente pelo método. Enquanto o primeira corrente se propõe a pensar os usos e regulações de apenas uma plataforma de mapas virtuais, a segunda corrente compara os usos e regulações em duas plataformas e pressupõe que existem nestas técnicas de cartografia digital uma dupla tendência, a horizontalização e a verticalização das representações socioespaciais através do GIS.

O método que produz o fundamento do campo das Geocomunicações alicerça um pensamento latino-americano sobre a globalização dos mapas virtuais por empresas, governos e cidadãos de modo diferente e integrado pelos territórios do planeta.

Metodologia de comparação de mapas online

Esta metodologia tem três passos que buscam aferir de modo quali-quanti sobre os “contrastes cartográficos” na representação de um território.

Basicamente comparam-se dois mapas de um mesmo território em uma mesma escala de zoom digital escolhida conforme a demanda da pesquisa.

Coleta das colaborações

O primeiro passo recorre à coleta das colaborações, ou seja, a escolha de um determinado recorte para a pesquisa (local ou regional) com objetivo de comparar as representações em duas ou mais telhas (ou frames) em escalas cartográficas fixas. Nesta pesquisa utilizamos da plataforma alemã Geofabrik e a ferramenta de pesquisa online Map Compare (Comparador de Mapas). Após o print-screen da comparação começam as análises dos frames.

Análise das visibilidades

O segundo passo é a análise quanti das formas estruturadas que são visíveis no mapa classificando os dados entre “símbolos” ou “nomes”, ou seja, não considerando aspectos como cores, apenas os elementos que comuniquem, conforme Juan Díaz Bordenave, os objetos utilizados ou desutilizados de um território em estudo comparado.

Análise das territorialidades

O terceiro passo é a análise quali das funções processadas (conforme a imagem) que são enunciadas por estas formas estruturadas quantificadas anteriormente. Podemos com isso classificar os lugares, vias ou áreas (quantificados a partir de nomes e símbolos) como “políticos”, “econômicos”, “sociais” e “culturais”, não considerando as intersecções possíveis - como sociocultural ou sociopolítico - considerando portanto a função que prevalece no cotidiano conforme o ponto de vista do pesquisador, constituído pelo senso do “nível espacial”, conforme definiu Merleau-Ponty, entre a presença e a pertença ao território (ou loco) da pesquisa ou ação.

Horizontalização e verticalização Este método dialético de estudo da representação geoespacial de uma sociedade considera três fatores-chave:

1) se o território está mapeado de modo que horizontaliza ou modo que verticaliza as informações para todos que podem acessar o mapa online de um mesmo território,

2) se o mapeamento foi uma ação ou uma atividade, partindo de voluntários ou funcionários

3) se todos os lugares, vias e áreas usados no cotidiano estão representados neste recorte partindo do senso do habitante, quem melhor conhece as dinâmicas locais.

Exemplo: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/19/Resina_contraste_acesso_18_de_novembro_de_2018.jpg

Com o propósito de desenvolver uma metodologia de análise para orientar aqueles que ambicionam “analisar, refletir e agir na relação entre a cidade, os mapeadores e os mapas online”, o autor empreende uma análise comparativa entre as plataformas Google Maps e OpenStreetMap – orientado pela preocupação com a comunicabilidade dos mapas – e leva a efeito um estudo sobre os mapeamentos online do centro urbano mais moderno do município de Cachoeira, no estado da Bahia, com o projeto de Extensão MapaRec, mas podemos falar de diversos outros casos de ação cooperativa, como o povoado de quilombolas do Povoado Resina, no município de Brejo Grande, no estado de Sergipe.

Ver mais em: https://pt.everybodywiki.com/Geocomunica%C3%A7%C3%B5es

Location: Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros, Região Geográfica Imediata de Aracaju, Região Geográfica Intermediária de Aracaju, Sergipe, Região Nordeste, 49140-000, Brasil

Ontologia e epistemologia para estudos em OpenStreetMap

Posted by antoniolaranjeira on 12 September 2019 in Brazilian Portuguese (Português do Brasil).

O termo Geocomunicações (originado do termo Geocommunication em inglês ou Geokommunication em dinamarquês) foi apropriado (em português) pelo comunicólogo Antônio Laranjeira, na dissertação intitulada A comunicação dos mapas (2019) na qual o autor trata de uma investigação sobre aspectos filosóficos, sociológicos, geográficos e comunicacionais das plataformas Google Maps e OpenStreetMap. Esta investigação é atualmente a única do Brasil na lista internacional de pesquisas sobre o tema.

O termo Geo-communication, citado pela primeira vez em inglês pelo geógrafo e comunicólogo Lars Brodesen, em sua tese intitulada Geo-communication and Information Design (2008) que serviu como premissa para uma definição deste subcampo científico nutrido pelos usos e regulações de diferentes modelos de sistemas de informações geográficas oferecidos via o ambiente de convergência entre a web e o GIS - em outras palavras, a geoweb.

Conceitos para análise da comunicabilidade dos mapas online Fundamentado em teorias da Espacialidade e da Cibercultura, a dissertação apresenta uma leitura original sobre três conceitos que orientam a metodologia comparativa do estudo sobre os mapeamentos colaborativos. São eles: 1) colaborações de André Lemos (colaboração em rede e colaboração em massa), 2) territorialidades de Rogério Haesbaert (territorialidade espacial e territorialidade informacional) e 3) visibilidades de Paulo César Gomes (possibilidades de múltiplos mapas em múltiplas escalas de zoom digital).

Esta pesquisa que “delimitou” pela primeira vez campo das Geocomunicações está fundamentada na teoria da produção do espaço (Henri Lefebvre), no método de análise espacial dialético (Milton Santos) e na metodologia experimental de comparação de mapas online (Antônio Laranjeira).

Location: Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros, Região Geográfica Imediata de Aracaju, Região Geográfica Intermediária de Aracaju, Sergipe, Região Nordeste, 49140-000, Brasil